sábado, 8 de dezembro de 2012

Silêncio e Saudade

Sentado em uma escola vazia, ouço o silêncio do pátio, que ontem estava repleto de gritos e hoje apenas o som do silencio. Muitos professores vão pensar e até mesmo comentar uns com os outros que acham melhor assim, pois não precisam mais aturar nenhum aluno até o ano que vem.
Mas é engraçado como eu estou sempre enfrentando a onda onde muita gente naufragou, estou sempre indo na contramão da história, e hoje estou aqui com saudades dos abraços, das atenções, das trocas de idéias e até das broncas que muitas vezes eu tinha que dar. Para mim é um momento de avaliação de tudo que realizei, dos meus acertos, dos meus erros, o que posso melhorar e o que necessito manter, como por exemplo, meu amor pelo que eu faço e sempre com humanidade. Se um dia eu notar que estou perdendo esses dois elementos vou tomar outro rumo da minha vida.
Recordo-me de quando comecei meu curso, ou até mesmo um pouco antes, quando eu já tinha um desejo de estar na área da educação, quantas críticas eu ouvi de conhecidos e pessoas próximas a mim que isso não levaria a lugar algum, que professor não é valorizado no Brasil, que o salário é de fome, entre outros comentários que desanima o mais otimista, porém como já disse, gosto de nadar contra a maré.
Não vou dizer que o contracheque é alto, mas todo carinho recebido ao longo do tempo não está incluído nessa folha. Pelo contrário, essa folha só contém números, quanto eu ganhei, quanto será descontado, quanto o governo vai tirar, entre outros valores já conhecidos por todos os trabalhadores.
Mas a minha verdadeira folha de pagamento tem outros itens. Ela contém mais de quatrocentos sorrisos diários, ela contém centenas de abraços e beijos, muitas conversas gostosas ao longo do dia que me faz chegar em casa satisfeito com meu trabalho. Minha folha de pagamento tem saudades e lembranças que ficarão comigo. E nessa folha nem o governo nem ninguém consegue efetuar nenhum desconto, é minha por inteiro.
As pessoas que compreendem a vida somente através de números nunca entenderão isso, e pior, vão gritar: Idealista, sonhador! E gritarei de volta: Sim, sonho todos os dias, e continuarei até meu ultimo suspiro.