Faz muito tempo que não escrevo. Muito mesmo, mas eu ia fazer esse post no face, mas achei muito longo e lembrei que tinha esse blog abandonado.
O personagem do relato é fictício, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência...
Acordo, pego o celular e posto `` Bom dia, que todos tenham um dia maravilhoso ´´ mesmo estar pouco me importando se vão ter ou não um bom dia.
Vou tomar um banho e lavo meu cabelo com Johnson´s Baby, pois não arde os olhos e agradeço ao meu amigo Guilherme Fernandes que me indicou tal produto. Vou tomar café da manhã, mas ao mesmo tempo acompanhando as noticias da internet, pois sou uma pessoa bem informada.Como meu neston com frutas, danoninho e sucrilhos e reflito no que li ontem.`` ESSE GOVERNO VAI DEIXAR FALTAR IOGURTE DE SABORES NO MERCADO ´´ Isso me apavora, malditos comunistas, querem transformar isso aqui em Cuba,onde todos só tem um sabor e uma marca de iogurte.
Saio no meu carro financiado em 60 meses, mas fico indignado, pois estou parado no trânsito porque agora tem fila exclusiva de ônibus, malditos, pouco me importa se els estão passando calor e estão desconfortável de pé enquanto estou aqui sentado em baixo do ar condicionado, eles tem que ficar preso no transito também. Pra piorar ao chegar no serviço vocês não imaginam o que aconteceu! O porteiro, ao qual eu não tenho ideia qual é o nome, mesmo trabalhando aqui há 10 anos, estava no banheiro e demorou pra abrir o portão pra mim. OLHA QUE ABSURSO!!! Imaginam se nesse meio tempo vem alguém me pedir esmola, me assaltar, me matar, porque vocês sabem né ??? Ta cheio de marginal por aí.
O dia seguiu tranquilo, tirando a menina que não trouxe meu nescafé no horário e meu assistente que chegou atrasado só porque pega 4 conduções. Mas não existe corredor exclusivo de ônibus ? Como ele chega atrasado ?
Saio e mais trânsito e esses caras no transito fazendo acrobacia no farol ? Que medo de ser assaltado. Ignoro os acrobatas, os menores abandonados os ciclistas, os motoboy, pois pago meus impostos e tenho direito de andar em uma rua tranquila.
Chego em casa, e pra azedar meu dia dou de cara com aqueles gays que moram no 13. Que nojo, quer ser gay seja, mas faça isso dentro do apartamento deles, não sou obrigado a conviver com isso, vou reclamar com o síndico.
Finalmente dentro do lar, entro no face, compartilho alguns post de páginas bacanas Orgulho Hétero, Admiradores da Rota, Jaie Bolsonaro Presidente.
Mas antes de dormir compartilho uma imagem de Jesus Cristo, e desjo uma otima noite a todos. Esse cara foi bacana, nos ensinou a amar o próximo. E olho para o mundo e penso `` Falta deus no coração desses veados, marginais, comunistas, todos deveriam morrer.
Simples de coração
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
sábado, 8 de dezembro de 2012
Silêncio e Saudade
Sentado em uma escola vazia, ouço o silêncio do pátio, que
ontem estava repleto de gritos e hoje apenas o som do silencio. Muitos
professores vão pensar e até mesmo comentar uns com os outros que acham melhor
assim, pois não precisam mais aturar nenhum aluno até o ano que vem.
Mas é engraçado como eu estou sempre enfrentando a onda onde
muita gente naufragou, estou sempre indo na contramão da história, e hoje estou
aqui com saudades dos abraços, das atenções, das trocas de idéias e até das
broncas que muitas vezes eu tinha que dar. Para mim é um momento de avaliação
de tudo que realizei, dos meus acertos, dos meus erros, o que posso melhorar e
o que necessito manter, como por exemplo, meu amor pelo que eu faço e sempre
com humanidade. Se um dia eu notar que estou perdendo esses dois elementos vou
tomar outro rumo da minha vida.
Recordo-me de quando comecei meu curso, ou até mesmo um
pouco antes, quando eu já tinha um desejo de estar na área da educação, quantas
críticas eu ouvi de conhecidos e pessoas próximas a mim que isso não levaria a
lugar algum, que professor não é valorizado no Brasil, que o salário é de fome,
entre outros comentários que desanima o mais otimista, porém como já disse,
gosto de nadar contra a maré.
Não vou dizer que o contracheque é alto, mas todo carinho
recebido ao longo do tempo não está incluído nessa folha. Pelo contrário, essa
folha só contém números, quanto eu ganhei, quanto será descontado, quanto o
governo vai tirar, entre outros valores já conhecidos por todos os
trabalhadores.
Mas a minha verdadeira folha de pagamento tem outros itens.
Ela contém mais de quatrocentos sorrisos diários, ela contém centenas de
abraços e beijos, muitas conversas gostosas ao longo do dia que me faz chegar
em casa satisfeito com meu trabalho. Minha folha de pagamento tem saudades e
lembranças que ficarão comigo. E nessa folha nem o governo nem ninguém consegue
efetuar nenhum desconto, é minha por inteiro.
As pessoas que compreendem a vida somente através de números
nunca entenderão isso, e pior, vão gritar: Idealista, sonhador! E gritarei de
volta: Sim, sonho todos os dias, e continuarei até meu ultimo suspiro.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Eu mudo;Tu mudas;Ele muda;Nós tememos...
Não me recordo qual foi a ultima vez que sentei para
escrever nessa página, mas já faz algum tempo. Desde então algumas coisas
mudaram. E vou escrever sobre isso. Sobre mudanças. Sei que é um clichê, que
existem pelo menos três mil músicas que fala de mudanças, milhões de livros de autoajuda
que trata desse assunto. Mas apesar de ser algo tão falado e discutido ainda
deixa as pessoas griladas. Eu mesmo me incomodo com algumas delas, por exemplo,
tive que trocar meu computador por um Note Book, ainda não me acostumei com o
teclado, nem com o mouse, muito menos com a tela, e como a maioria das pessoas
que gostam de se aproveitar das mudanças para justificarem alguns de seus erros
farei o mesmo. Todos os erros gramaticais desse texto é por causa do teclado, ainda
não estou adaptado a ele.
Quando falo de mudanças me recordo da época da escola,
sempre que passávamos de um ano para outro, ou no fim de algum ciclo, como do
ginásio para o colegial ( na minha época era chamado assim, sei que mudou para
fundamental e médio, mas também não estou adaptado a essa mudança) a escola
reunia todos no pátio para uma espécie de comemoração, e sempre tocavam a mesma
música. `` ...tudo muda, o tempo todo no mundo...´´ Era incrível como tudo
mudava, menos essa música. Outra coisa que não muda é a minha mania de mudar de
assunto. Uma das mudanças que amo é mudar de assunto, mas preciso tentar voltar
ao meu raciocínio antes que eu me perca e provavelmente quem esta lendo também vai
querer mudar de página.
Eu estava falando da mudança do meu computador para o note.
Não gostei de ter que trocar, mas foi preciso, pois a minha rotina mudou. Hoje
passo mais tempo fora de casa, consequentemente não tinha tempo de ficar no
computador. Alias eu mudei de casa também, e mudei de emprego, mudei de bairro,
mudei de vida.
Essas mudanças na vida muitas vezes são por
opção, outras pelas condições, mas independente se foi por opção ou pela falta dela, as mudanças são
estranhas no começo. Principalmente quando vem muitas de uma só vez. Talvez
seja pelo fato de não mudarmos realmente, de sermos os mesmos dentro de uma
situação totalmente diferente. Não acredito que as pessoas mudem da noite para o
dia, mas as condições de vida muda de um dia para o outro, precisamos tentar
nos adaptar, seja com mudanças simples, como sair de casa e morar sozinho, até
mudanças mais complexas como trocar o computador por um notebook.
Não acredito que eu tenha mudado, ainda sou o mesmo que vejo
nas fotos de anos atrás, porém as coisas la fora mudaram muito. Hoje tenho que
pensar em coisas que eu não precisava pensar há um ano atrás. Hoje preciso agir
de forma diferente, mas meu coração é resistente a mudanças, ainda sou um homem
com medos infantis, mas não tenho mais medo dos monstros que podem estar dentro
do guarda roupa, ou de baixo da cama. Os monstros também mudaram, eles estão lá
fora, e preciso conviver com eles.
`` Muda, que quando a gente muda o mundo muda com a gente, a
gente muda o mundo com a mudança da mente ´´ ( Gabriel o Pensado)
Quando os
ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem
moinhos de vento. (Erico Veríssimo)
Não é o mais forte da espécie que sobrevive, nem o mais inteligente; é o que
melhor
se adapta à mudança". (Charles Darwin)
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Se fosse só sentir saudade...
`` Há alguns dias atrás uma amiga me pediu para escrever algo relacionado a uma banda e como ela entrou na minha vida. Foi uma tarefa difícil, não é fácil buscar memorias que estão adormecida há tempos. Assim que terminei de escrever li diversas vezes, pensei se realmente era viável posta-lo por se tratar de um texto muito longo e em determinados momentos um pouco intimo, revela um pouco da minha fragilidade em determinados momentos da minha vida, mas já que tive o trabalho de escrever vou compartilhá-lo com o mundo, embora o mundo não esta muito interessado rs ´´
Liguei o aparelho de som e olhei para a minha coleção de uma das bandas que estão na minha vida há algum tempo. Não sabia qual cd escolher para ouvir, olhei para ver as horas e eram 2:22 AM, Três números dois seguidos o que me levou a escolher o cd `` Dois ´´.
Fecho os meus olhos e tento me recordar como tudo começou, mas muitas coisas se misturam, trechos de canções como `` Será só imaginação, Será que nada vai acontecer...´´ já estavam no meu subconsciente, mas ainda não no meu coração. Tenho recordações de algumas fitas k7 que ficavam na casa da minha avó, entre elas uma escrita `` As quatro estações ´´, essas fitas pertenciam a minha tia, irmã mais nova do meu pai, e quando ela se mudou deixou essas pequenas invenções holandesas para trás, provavelmente ela trocou essas pequenas caixinhas por compact disc.
Essas minhas lembranças vão de 1994 ou 1995, não me lembro com exatidão agora, mas preciso avançar um pouco no tempo e ir para 1997, nessa época eu já ouvia as músicas com um pouco mais de atenção, mas ainda estava longe de compreender muitas coisas.
Já fazia quase um ano que `` ele´´ deixava esse mundo e eu estava ouvindo rádio quando escutei uma canção `` ...volta pro esgoto baby e ver se alguém te quer..´´ e para ser sincero não foi algo que me tocou naquele momento, mas hoje quando ouço me lembro daqueles momentos da minha vida.
O ano seguinte eu iria reviver cada momento dessa banda, do seu primeiro álbum de janeiro de 1985 ( eu ainda não existia, mas já estava a caminho, era questão de 9 meses) até os últimos. Tudo isso graças a uma simples coletânea. Quero fazer um comentário sobre isso, a coletânea deixa algumas pessoas engessadas, limitam a ouvir só aquilo que foi selecionado, não foi esse meu caso. Nessa época eu tinha 13 anos e ao pegar um cd emprestado com um amigo e dar o play eu consegui na primeira música reviver sentimentos e memórias que estavam esquecidas no meu subconsciente, eu pensava comigo será que essas lembranças é só imaginação? Eu perdi as contas de quantas vezes eu ouvi aquele cd, mas aquelas dezesseis canções era muito pouco e eu precisava de muito mais e minha mente sabia onde conseguir. Ela buscou na memória uma fita cassete da Philips escrito a mão as palavras `` As quatro estações ´´. Sentei na frente do computador, entrei no Google e digitei... OPS!!!! Não, ainda não existiam esses métodos, as coisas eram muito mais difíceis, o que tornava mais prazeroso a busca por esses tesouros.
Alguns dias depois eu estava conversando com o porteiro do prédio que eu morava e ele comentou que tinha dois álbuns e que me emprestaria, no mesmo dia fui a um bazar e comprei duas fitas virgens e deixei reservada para gravar esse dois álbuns. No dia seguinte ele me trouxe os dois, um eu já esperava, a capa era cinza com três integrantes na capa e escrito de azul o nome da banda e embaixo aquelas palavras que eu tinha visto há alguns anos atrás. Olhei para o outro álbum, uma capa estranha e tinha um personagem a mais, o vocalista quase não aparecia, estava atrás de todos e o baterista a frente., realmente uma coisa muito diferente. Entrei correndo em casa e coloquei o álbum de capa cinza no som gradiente, `` Parece cocaína mas é só tristeza...´´ era assim que ele começava, cada faixa que passava aquelas canções deixavam o meu subconsciente e passavam a ficar no meu coração, quando o álbum acabou minha vida iria mudar, eu não sabia disso naquele momento, mas hoje compreendo que aquilo que ouvi não eram apenas algumas canções, era um modo de vida, era um conjunto de idéias políticas e sócias que fariam parte de um ser que eu estava alimentando. Quando coloquei o outro disco de capa estranha a primeira faixa não me era estranha, mas a segunda eu nunca tinha ouvido na minha vida e ela citava alguns nomes estranhos e difíceis de decorar como um tal de Marx e um outro chamado Engels. Poxa quem seriam esses camaradas? Nem preciso dizer que quando começou a tocar Faroeste Cabloco eu já cantava inteira, pois quando ouvi a primeira vez achei sensacional e ouvi até decorar.
Terminei de gravar e devolvi os dois cd´s para o Airton ( o nome da pessoa que emprestou os cd´s) Perdi as contas de quantas vezes eu ouvi aquelas fitas, mesmo porque ela me acompanharam até 2004 que foi o ano que comprei os cd´s, mas antes de comprar vou voltar a 1999 que foi o ano que ganhei o meu primeiro cd.
O ano de 1999 eu já tinha um gosto musical bem definido, conhecia uma quantidade boa Raulzito ( tudo graças a umas fitas gravadas por um cara chamado Fernando, na época eu tinha 12 anos e ele devia ter uns 16 e era conhecido como `` Fernandinho ´´ hoje ele é mais conhecido como `` Che ´´ mas essa é uma outra história).
Nesse mesmo ano um amigo me emprestou um CD branco com símbolo bonito na capa, e na lateral um algarismo romano `` V ´´. Ele tinha uma primeira faixa muito diferente, que mais tarde descobri que era uma canção do século VXIII, mas me recordo que a ouvi pelo menos três vezes antes de ir pra segunda música... Ah, o que dizer dessa segunda música, não tenho palavras, ela fala por si só, `` Não sou escravo de ninguém, ninguém senhor do meu domínio, sei o que devo defender e por valor eu tenho e temo o que agora se desfaz ...´´, uma canção de onze minutos e vinte segundos, mas que me marcou por mais de onze anos. Nessa época eu estava na sétima série, estava prestes a completar 14 anos e não podia imaginar o que a vida estava reservando para mim no final desse ano. Foi um ano diferente, tive paixões mais fortes, amizades mais intensas, alguma coisa estava acontecendo, uma `` Tempestade ´´ estava se aproximando.
Em outubro de 1999 veio ao mercado um álbum chamado Acústico MTV e logo (um mês depois) eu teria esse álbum em minhas mãos, mas como coisas belas tem que ser compartilhadas e como já mencionei a internet já existia mas não era como é hoje, então a maneira mais fácil de ouvir um álbum completo era comprando ou pegando emprestado de alguém. Enfim, emprestei-o para uma pessoa, no dia seguinte, agora não me recordo se era 06 ou se era 09 de dezembro, mas era uma dessas duas datas, estávamos conversando sobre esse álbum e o quanto era maravilhoso, nesse dia o céu anunciava fortes tempestades que chegariam em algumas horas. Despedi-me dela e entrei, talvez se eu tivesse ficado mais tempo conversando com ela do lado de fora hoje eu não estaria narrando minha vida dessa maneira.
Minha tia estava na minha casa nesse dia, mas logo ela foi embora, se eu tivesse acompanhado ela até o portão do prédio talvez hoje eu seria um outro André. A ``tempestade ´´ estava mais próxima a cada minuto, minha tia estava saindo, minha mãe estava acompanhando ela até o portão. Uma discussão entre eu e meu irmão se inicia, os ventos estavam fortes, como sempre o pai do meu irmão entrava na briga a favor dele, trovoadas e relâmpagos cortavam o céu, e a tempestade começava, eu já não me sentia mais uma criança de dez anos que meu padrasto vinha e eu não tinha reação, eu já não era mais o mesmo, ele percebeu isso quando se aproximou de mim. Não me lembro como foi, mas acho que o empurrei com um soco no peito no momento em que minha mãe entrava em casa, gritos ecoavam, não me lembro aonde meu irmão estava nesse momento e nem sei se ele tinha uma compreensão do que estava acontecendo, era o momento em que eu saia daquela casa, daquela vida, pra nunca mais voltar.
Era dezembro, estava de férias escolares e viajei pra Minas para casa do meu pai, nunca tinha cogitado morar com ele, mas esse era um momento em que tudo era possível, minha vida estava aberta para muitas possibilidades. Durante essas férias em Minas passei uns dias em campinas,na casa de uma tia, e entre uma conversa e outra eu vi um cd azul sem encarte, somente o cd, ela disse que achava que tinha perdido esse cd e comprou outro, então me deu esse. A tempestade ainda estava em minha vida. O mês era fevereiro e eu ainda estava em Minas sem a menor vontade de voltar, as noticias que vinham de São Bernardo não eram das melhores, o pouco dinheiro que eu tinha na poupança estava sendo retirado juntamente com o do meu irmão e da minha mãe para comprar um apartamento em um bairro muito longe de onde eu morava isso implicava que eu mudaria de escola, justamente no ultimo ano de ginásio, meus amigos, minhas paixões, tudo ficou para trás juntamente com o acústico MTV, mas eu levava comigo de volta uma tempestade.
Enfim relutei, mas voltei, tinha que recomeçar nesse novo mundo estranho, mas eu não estava sozinho, eles estavam comigo, com suas canções que me faziam companhia por muitas noites. Por muito tempo, com exatidão o ano de 2000, eu não tinha contato com meus velhos amigos, mas não tinha tantos novos amigos e durante as noites eu ouvia `` Quando não há compaixão ou mesmo um gesto de ajuda, o que pensar da vida e daqueles que sabemos que amamos...
Não vou entrar em detalhes da minha vida esse momento, mas toda tempestade tem um fim, e depois você se fortalece e amadurece, o ano de 2000 foi um ano cheio de baixos, mas no fim desse ano, mas precisamente no dia 10 de dezembro, um ano depois da forte tempestade eu recebia um cartão de natal `` com muito amor e carinho ´´ e esse cartão hoje esta guardado com muitos outros que vieram dez anos depois. Isso era um bom sinal. Um novo ano estava chegando e 2001 viria com um álbum ao vivo e duplo com uma pergunta simples ``Como é que se diz eu te amo ´´ , alias um álbum caríssimo que eu só pude comprar alguns anos depois, mas nesse ano eu conheci algumas pessoas que me ajudariam a me reconstruir, pessoas com um gosto idêntico ao meu. O álbum me aproximou de um cara que depois veio a ser um dos meus melhores amigos por muito tempo, nos dois compartilhávamos o desejo de ter esse cd, mas enquanto isso não acontecia as velhas fitas cassetes faziam muito bem o seu trabalho.
Durante esse período eu já tinha conseguido todos os álbuns gravados, não vou dizer que eu não tinha nenhum cd, mas como era poucas as oportunidades que eu tinha de ganhar algum cd eu não podia me dar ao luxo de ter uma coleção completa, tinha que variar entre diversas bandas. Nesse mesmo ano, ou no ano seguinte, não me recordo agora, estava em uma loja de cd com uma tia e ela disse que eu podia escolher um cd e eu já tinha na ponta da língua o que eu queria, e esse álbum se chamava ``Equilíbrio Distante ´´ .
Esse ano de 2001 abandonei a ``depressão´´ do ano anterior, já tinha 16 anos, gostava de pegar o violão, não sabia tudo da Janis mas gostava muito de Led Zeppelin e dos Beatles, nem tanto dos Rolling Stones. Eu estava descobrindo tudo de novo, ``e tive 29 amigos outra vez. ´´ Os dois anos seguintes eu já sabia exatamente o que queria pra minha vida, ainda não sabia quem eram Marx e Engels, mas tomei uma decisão da vida que me colocaria diante deles em alguns momentos futuros. Desde a sétima serie tinha uma paixão por Historia, o que me fez decidir no segundo ano que queria fazer Licenciatura em Historia, fato que só ocorreu em 2009. Mas voltando pra 2002, mudar de um prédio de pessoas de classe média alta (apesar que eu nunca fui, pois eu era o enteado do zelador) para a periferia me fez ser uma pessoa melhor e mais observadora. Na periferia também tinha rock e foi nesse lugar que tive minha primeira banda e uma das músicas que mais tocávamos tinha um refrão que me acompanhava por anos, mas agora fazia mais sentido, `` Será que vamos conseguir vencer ? ´´ . Logicamente a banda não durou seis meses, mas me lembro como se fosse ontem.
Último ano da escola, e agora? O que você vai ser quando você crescer? Se antes eu sonhava, agora estava ficando difícil de dormir, outubro desse ano eu já não era mais criança, estava fazendo 18 anos, tinha uma visão de mundo muito critica, e a estupidez humana me incomodava cada vez mais. Algumas coisas me afetavam mais, `` toda hipocrisia e toda afetação, todo roubo e toda indiferença ...´´ me irritava mais do que antes.
Vou encerrar no ano de 2004, por vários motivos, não por que tudo termina em 2004, mas se eu prosseguir vou ter que vir até a data de hoje. Comecei a trabalhar de verdade (antes eu só fazia bicos de garçom em Buffet) e meu primeiro salário no ultimo dia de setembro de 2004 foi convertido em vários cd´s, era um desejo que se realizava, minha primeira coleção completa. Mas não era apenas uma coleção de cd´s, mas uma coleção de memórias, não teve um dia exato que a LEGIÃO URBANA entrou na minha vida, ela simplesmente surgiu em algum momento da minha infância e veio fazendo a trilha sonora da minha vida por vários anos, em diversas fases, momentos de felicidade, de tristeza, de revolta e de amor. Não é apenas uma Tempestade, pode ser também o livro dos dias. `` Este é o livro das flores, este é o livro do destino, este é o livro de nossos dias, este é o dia de nossos amores. ´´
Forza sempre.
Liguei o aparelho de som e olhei para a minha coleção de uma das bandas que estão na minha vida há algum tempo. Não sabia qual cd escolher para ouvir, olhei para ver as horas e eram 2:22 AM, Três números dois seguidos o que me levou a escolher o cd `` Dois ´´.
Fecho os meus olhos e tento me recordar como tudo começou, mas muitas coisas se misturam, trechos de canções como `` Será só imaginação, Será que nada vai acontecer...´´ já estavam no meu subconsciente, mas ainda não no meu coração. Tenho recordações de algumas fitas k7 que ficavam na casa da minha avó, entre elas uma escrita `` As quatro estações ´´, essas fitas pertenciam a minha tia, irmã mais nova do meu pai, e quando ela se mudou deixou essas pequenas invenções holandesas para trás, provavelmente ela trocou essas pequenas caixinhas por compact disc.
Essas minhas lembranças vão de 1994 ou 1995, não me lembro com exatidão agora, mas preciso avançar um pouco no tempo e ir para 1997, nessa época eu já ouvia as músicas com um pouco mais de atenção, mas ainda estava longe de compreender muitas coisas.
Já fazia quase um ano que `` ele´´ deixava esse mundo e eu estava ouvindo rádio quando escutei uma canção `` ...volta pro esgoto baby e ver se alguém te quer..´´ e para ser sincero não foi algo que me tocou naquele momento, mas hoje quando ouço me lembro daqueles momentos da minha vida.
O ano seguinte eu iria reviver cada momento dessa banda, do seu primeiro álbum de janeiro de 1985 ( eu ainda não existia, mas já estava a caminho, era questão de 9 meses) até os últimos. Tudo isso graças a uma simples coletânea. Quero fazer um comentário sobre isso, a coletânea deixa algumas pessoas engessadas, limitam a ouvir só aquilo que foi selecionado, não foi esse meu caso. Nessa época eu tinha 13 anos e ao pegar um cd emprestado com um amigo e dar o play eu consegui na primeira música reviver sentimentos e memórias que estavam esquecidas no meu subconsciente, eu pensava comigo será que essas lembranças é só imaginação? Eu perdi as contas de quantas vezes eu ouvi aquele cd, mas aquelas dezesseis canções era muito pouco e eu precisava de muito mais e minha mente sabia onde conseguir. Ela buscou na memória uma fita cassete da Philips escrito a mão as palavras `` As quatro estações ´´. Sentei na frente do computador, entrei no Google e digitei... OPS!!!! Não, ainda não existiam esses métodos, as coisas eram muito mais difíceis, o que tornava mais prazeroso a busca por esses tesouros.
Alguns dias depois eu estava conversando com o porteiro do prédio que eu morava e ele comentou que tinha dois álbuns e que me emprestaria, no mesmo dia fui a um bazar e comprei duas fitas virgens e deixei reservada para gravar esse dois álbuns. No dia seguinte ele me trouxe os dois, um eu já esperava, a capa era cinza com três integrantes na capa e escrito de azul o nome da banda e embaixo aquelas palavras que eu tinha visto há alguns anos atrás. Olhei para o outro álbum, uma capa estranha e tinha um personagem a mais, o vocalista quase não aparecia, estava atrás de todos e o baterista a frente., realmente uma coisa muito diferente. Entrei correndo em casa e coloquei o álbum de capa cinza no som gradiente, `` Parece cocaína mas é só tristeza...´´ era assim que ele começava, cada faixa que passava aquelas canções deixavam o meu subconsciente e passavam a ficar no meu coração, quando o álbum acabou minha vida iria mudar, eu não sabia disso naquele momento, mas hoje compreendo que aquilo que ouvi não eram apenas algumas canções, era um modo de vida, era um conjunto de idéias políticas e sócias que fariam parte de um ser que eu estava alimentando. Quando coloquei o outro disco de capa estranha a primeira faixa não me era estranha, mas a segunda eu nunca tinha ouvido na minha vida e ela citava alguns nomes estranhos e difíceis de decorar como um tal de Marx e um outro chamado Engels. Poxa quem seriam esses camaradas? Nem preciso dizer que quando começou a tocar Faroeste Cabloco eu já cantava inteira, pois quando ouvi a primeira vez achei sensacional e ouvi até decorar.
Terminei de gravar e devolvi os dois cd´s para o Airton ( o nome da pessoa que emprestou os cd´s) Perdi as contas de quantas vezes eu ouvi aquelas fitas, mesmo porque ela me acompanharam até 2004 que foi o ano que comprei os cd´s, mas antes de comprar vou voltar a 1999 que foi o ano que ganhei o meu primeiro cd.
O ano de 1999 eu já tinha um gosto musical bem definido, conhecia uma quantidade boa Raulzito ( tudo graças a umas fitas gravadas por um cara chamado Fernando, na época eu tinha 12 anos e ele devia ter uns 16 e era conhecido como `` Fernandinho ´´ hoje ele é mais conhecido como `` Che ´´ mas essa é uma outra história).
Nesse mesmo ano um amigo me emprestou um CD branco com símbolo bonito na capa, e na lateral um algarismo romano `` V ´´. Ele tinha uma primeira faixa muito diferente, que mais tarde descobri que era uma canção do século VXIII, mas me recordo que a ouvi pelo menos três vezes antes de ir pra segunda música... Ah, o que dizer dessa segunda música, não tenho palavras, ela fala por si só, `` Não sou escravo de ninguém, ninguém senhor do meu domínio, sei o que devo defender e por valor eu tenho e temo o que agora se desfaz ...´´, uma canção de onze minutos e vinte segundos, mas que me marcou por mais de onze anos. Nessa época eu estava na sétima série, estava prestes a completar 14 anos e não podia imaginar o que a vida estava reservando para mim no final desse ano. Foi um ano diferente, tive paixões mais fortes, amizades mais intensas, alguma coisa estava acontecendo, uma `` Tempestade ´´ estava se aproximando.
Em outubro de 1999 veio ao mercado um álbum chamado Acústico MTV e logo (um mês depois) eu teria esse álbum em minhas mãos, mas como coisas belas tem que ser compartilhadas e como já mencionei a internet já existia mas não era como é hoje, então a maneira mais fácil de ouvir um álbum completo era comprando ou pegando emprestado de alguém. Enfim, emprestei-o para uma pessoa, no dia seguinte, agora não me recordo se era 06 ou se era 09 de dezembro, mas era uma dessas duas datas, estávamos conversando sobre esse álbum e o quanto era maravilhoso, nesse dia o céu anunciava fortes tempestades que chegariam em algumas horas. Despedi-me dela e entrei, talvez se eu tivesse ficado mais tempo conversando com ela do lado de fora hoje eu não estaria narrando minha vida dessa maneira.
Minha tia estava na minha casa nesse dia, mas logo ela foi embora, se eu tivesse acompanhado ela até o portão do prédio talvez hoje eu seria um outro André. A ``tempestade ´´ estava mais próxima a cada minuto, minha tia estava saindo, minha mãe estava acompanhando ela até o portão. Uma discussão entre eu e meu irmão se inicia, os ventos estavam fortes, como sempre o pai do meu irmão entrava na briga a favor dele, trovoadas e relâmpagos cortavam o céu, e a tempestade começava, eu já não me sentia mais uma criança de dez anos que meu padrasto vinha e eu não tinha reação, eu já não era mais o mesmo, ele percebeu isso quando se aproximou de mim. Não me lembro como foi, mas acho que o empurrei com um soco no peito no momento em que minha mãe entrava em casa, gritos ecoavam, não me lembro aonde meu irmão estava nesse momento e nem sei se ele tinha uma compreensão do que estava acontecendo, era o momento em que eu saia daquela casa, daquela vida, pra nunca mais voltar.
Era dezembro, estava de férias escolares e viajei pra Minas para casa do meu pai, nunca tinha cogitado morar com ele, mas esse era um momento em que tudo era possível, minha vida estava aberta para muitas possibilidades. Durante essas férias em Minas passei uns dias em campinas,na casa de uma tia, e entre uma conversa e outra eu vi um cd azul sem encarte, somente o cd, ela disse que achava que tinha perdido esse cd e comprou outro, então me deu esse. A tempestade ainda estava em minha vida. O mês era fevereiro e eu ainda estava em Minas sem a menor vontade de voltar, as noticias que vinham de São Bernardo não eram das melhores, o pouco dinheiro que eu tinha na poupança estava sendo retirado juntamente com o do meu irmão e da minha mãe para comprar um apartamento em um bairro muito longe de onde eu morava isso implicava que eu mudaria de escola, justamente no ultimo ano de ginásio, meus amigos, minhas paixões, tudo ficou para trás juntamente com o acústico MTV, mas eu levava comigo de volta uma tempestade.
Enfim relutei, mas voltei, tinha que recomeçar nesse novo mundo estranho, mas eu não estava sozinho, eles estavam comigo, com suas canções que me faziam companhia por muitas noites. Por muito tempo, com exatidão o ano de 2000, eu não tinha contato com meus velhos amigos, mas não tinha tantos novos amigos e durante as noites eu ouvia `` Quando não há compaixão ou mesmo um gesto de ajuda, o que pensar da vida e daqueles que sabemos que amamos...
Não vou entrar em detalhes da minha vida esse momento, mas toda tempestade tem um fim, e depois você se fortalece e amadurece, o ano de 2000 foi um ano cheio de baixos, mas no fim desse ano, mas precisamente no dia 10 de dezembro, um ano depois da forte tempestade eu recebia um cartão de natal `` com muito amor e carinho ´´ e esse cartão hoje esta guardado com muitos outros que vieram dez anos depois. Isso era um bom sinal. Um novo ano estava chegando e 2001 viria com um álbum ao vivo e duplo com uma pergunta simples ``Como é que se diz eu te amo ´´ , alias um álbum caríssimo que eu só pude comprar alguns anos depois, mas nesse ano eu conheci algumas pessoas que me ajudariam a me reconstruir, pessoas com um gosto idêntico ao meu. O álbum me aproximou de um cara que depois veio a ser um dos meus melhores amigos por muito tempo, nos dois compartilhávamos o desejo de ter esse cd, mas enquanto isso não acontecia as velhas fitas cassetes faziam muito bem o seu trabalho.
Durante esse período eu já tinha conseguido todos os álbuns gravados, não vou dizer que eu não tinha nenhum cd, mas como era poucas as oportunidades que eu tinha de ganhar algum cd eu não podia me dar ao luxo de ter uma coleção completa, tinha que variar entre diversas bandas. Nesse mesmo ano, ou no ano seguinte, não me recordo agora, estava em uma loja de cd com uma tia e ela disse que eu podia escolher um cd e eu já tinha na ponta da língua o que eu queria, e esse álbum se chamava ``Equilíbrio Distante ´´ .
Esse ano de 2001 abandonei a ``depressão´´ do ano anterior, já tinha 16 anos, gostava de pegar o violão, não sabia tudo da Janis mas gostava muito de Led Zeppelin e dos Beatles, nem tanto dos Rolling Stones. Eu estava descobrindo tudo de novo, ``e tive 29 amigos outra vez. ´´ Os dois anos seguintes eu já sabia exatamente o que queria pra minha vida, ainda não sabia quem eram Marx e Engels, mas tomei uma decisão da vida que me colocaria diante deles em alguns momentos futuros. Desde a sétima serie tinha uma paixão por Historia, o que me fez decidir no segundo ano que queria fazer Licenciatura em Historia, fato que só ocorreu em 2009. Mas voltando pra 2002, mudar de um prédio de pessoas de classe média alta (apesar que eu nunca fui, pois eu era o enteado do zelador) para a periferia me fez ser uma pessoa melhor e mais observadora. Na periferia também tinha rock e foi nesse lugar que tive minha primeira banda e uma das músicas que mais tocávamos tinha um refrão que me acompanhava por anos, mas agora fazia mais sentido, `` Será que vamos conseguir vencer ? ´´ . Logicamente a banda não durou seis meses, mas me lembro como se fosse ontem.
Último ano da escola, e agora? O que você vai ser quando você crescer? Se antes eu sonhava, agora estava ficando difícil de dormir, outubro desse ano eu já não era mais criança, estava fazendo 18 anos, tinha uma visão de mundo muito critica, e a estupidez humana me incomodava cada vez mais. Algumas coisas me afetavam mais, `` toda hipocrisia e toda afetação, todo roubo e toda indiferença ...´´ me irritava mais do que antes.
Vou encerrar no ano de 2004, por vários motivos, não por que tudo termina em 2004, mas se eu prosseguir vou ter que vir até a data de hoje. Comecei a trabalhar de verdade (antes eu só fazia bicos de garçom em Buffet) e meu primeiro salário no ultimo dia de setembro de 2004 foi convertido em vários cd´s, era um desejo que se realizava, minha primeira coleção completa. Mas não era apenas uma coleção de cd´s, mas uma coleção de memórias, não teve um dia exato que a LEGIÃO URBANA entrou na minha vida, ela simplesmente surgiu em algum momento da minha infância e veio fazendo a trilha sonora da minha vida por vários anos, em diversas fases, momentos de felicidade, de tristeza, de revolta e de amor. Não é apenas uma Tempestade, pode ser também o livro dos dias. `` Este é o livro das flores, este é o livro do destino, este é o livro de nossos dias, este é o dia de nossos amores. ´´
Forza sempre.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
``Garrafa Vazia´´ no palco e coração cheio na mesa.
A data era 06 de setembro, entravam no bar meu primo e eu. O bar ainda estava vazio devido ao horário, a banda estava no palco arrumando os instrumentos, sentamos em uma mesa aonde mais pessoas chegariam...
Espera, antes preciso pontuar algumas coisas, não era uma data como outra qualquer, eu não estava com um primo qualquer e não era uma banda qualquer e muito menos estávamos em um bar qualquer esperando por qualquer pessoa. Para muitos de fora que olhasse para nós não compreenderia o quanto pequenas coisas é importante para nossa vida, muitas vezes nem nós que somos protagonistas percebemos. Então vou tentar recomeçar tudo novamente e tentando dar a importância para tudo como elas merecem ser, muitas vezes posso parecer exagerado e romântico mas é por que sinto que muitas vezes não existem palavras para explicar tais acontecimentos.
A data era 06 de setembro e nessa mesma data há dois anos eu estava sentado na mesa do shopping com minha namorada, mas nesse dia ela ainda não sabia que seria minha namorada, alias nem ela nem eu e muito menos dois grandes amigos que se sentaram à mesa conosco aquele dia. Luiza e Vitor. Creio que os dois não sabiam que estavam sendo testemunha de algo que estava começando ali e que duraria muito tempo. Voltando a data atual, não preciso explicar o porquê essa data não é uma data qualquer e sim uma data muito especial.
O bar que estávamos era um bar simples, quando entrei e vi a banda no palco me recordei da primeira que entrei naquele espaço. Não me lembro o dia, mas foi em alguma data de 2006. Eu estava no shopping, o mesmo shopping que comecei o meu namoro, com alguns amigos, entre eles o Vitor, o mesmo que testemunhou o inicio do meu namoro sem saber, e encontrei uma amiga minha por acaso, ela estava com uma garota que eu tinha conhecido há alguns dias antes. Ela se chamava Luiza. Sim, a mesma Luiza que estava na mesa do shopping junto com o Vitor testemunhando algo que eles não sabiam (espero que a narração dos fatos não esteja confusa). Essa minha amiga (que eu nunca mais vi) estava indo em um bar ver o namorado tocar e chamou todo mundo para ir. Como eu e meus amigos não tínhamos pra onde ir fomos com elas. Chegamos ao Studio 84, o bar que eu freqüentaria por muitas vezes depois, inclusive essa noite. A banda que iríamos ver era Empty Bottle, banda que também estava se apresentando hoje.
Estava sentado só eu e meu primo na mesa, mas como disse não era qualquer primo, mesmo por que eu não tenho qualquer primo, eu gosto de todos, porém a minha relação com o Humberto é mais fraternal. Não me recordo quando ficou assim, tenho lembranças dele criança na casa da minha avó, onde sempre nos demos muito bem, mas a diferença de idade era grande, eu era um adolescente retardado e ele uma criança. Porém o tempo passa e quando percebi compartilhávamos de gostos musicais muito parecidos, e muitas vezes não sei se eu o influenciei ou ele me influenciou em certas bandas. Mas a amizade não é marcada só pela música, foram diversos os fatores que nos aproximaram. Talvez o fato do pai dele e meu pai serem grandes amigos isso veio implantado em nosso DNA.
A primeira pessoa a chegar foi minha namorada e era a terceira a compor a mesa, que durante as próximas horas só sentou pessoas que de fato marcam minha vida de maneira positiva.O que posso dizer da Regi? Posso dizer que na minha adolescência nós passávamos horas e horas no telefone conversando sobre coisas que hoje não me recordo mais, mas eram coisas que me deixavam apaixonado pela aquela garotinha de quinze ou dezesseis anos. Certamente algo nos fez distanciar, mas durante todos os anos eu e ela conversávamos no aniversario dela e também no meu. Nunca deixamos de ligar nessas datas. Vou pular até o dia 06 de setembro de 2009 se não vou deixar isso ainda mais longo. Praticamente dez anos depois de ter se conhecido estávamos saindo pela primeira vez...
Os próximos a compor a mesa foram o casal Vitor e Suzy. Antes preciso dizer que também não são um casal qualquer como aquele que ficamos amigo da namorada porque ela namora com nosso amigo. A Suzy é uma das pessoas que está na minha vida há muito tempo. Nós nos conhecemos no ano 2000, mas nossa amizade começou de fato em 2001 pois foi quando passamos a estudar no mesmo horário. Uma garotinha de personalidade, bonita e simpática, combinações a qual a transformaria na mulher que ela é hoje e essas qualidades que ela tem é um reflexo de tudo que ela passou.O mesmo posso dizer do Vitor. Quando conheci o Vitor no século passado não imaginaria que seriamos tão amigos, éramos duas pessoas completamente diferentes, mas enfim algo nos fez ficar muito próximo e hoje ele e a Suzy eram o quarto e o quinto a sentarem-se à mesa. A sexta pessoa não demoraria a chegar e em breve a Luiza se juntaria a nós. Uma menina que nunca deixou de ser menina, mas sempre soube ser mulher. As contradições fazem parte de seu perfil, brincalhona, porém muito seria no que faz, infantil nos gestos e muito madura em suas ações, foi a primeira pessoa a me dar uma porrada quando passou um fusca azul por nós, apesar de sua aparência frágil ela bate que nem homem, o mais divertido é poder descontar a altura.
O mais surpreendente é que as pessoas chegaram na mesa na mesma ordem que eu as conheci, como se o Universo estivesse me mostrando um filme, o primeiro que estava comigo era meu primo que presenciei seu nascimento em 1991, depois minha namorada que conheci praticamente no começo de 2000, seguido por Suzy e Vitor que conheci também em 2000 e em 2001. Depois a Luiza que conheci em 2006.
Em outubro de 2009 conheci a Ellainy e em dezembro desse mesmo ano conheci a Cássia e elas foram as ultimas a chegar à mesa e na minha vida, deixando tanto a mesa quanto a minha vida melhor.
A Ellainy é uma cunhada que tenho por consideração, bem humorada sensível e engraçada, é uma pessoa que tenho certeza que vai estar na minha vida e da minha namorada para sempre, faz parte da família. A última e não menos importante é a Cássia. Essa me surpreende muito às vezes, com uma aparência seria é uma pessoa extremamente divertida e sorridente. Muito inteligente e Bióloga, não apenas de profissão, mas de coração. Existe uma sutil diferença em cursar biologia e ser biólogo e ela é Bióloga, e assim como eu e o Humberto faz parte do complicado mundo da licenciatura.
Para muitos era uma mesa com oito pessoas, comendo bebendo e se divertindo na noite. Na minha ótica era muito mais que isso, eu estava compartilhando a mesa com sete pessoas que se eu pudesse carregaria comigo a minha vida toda. Sei que o tempo às vezes nos aproxima e nos separa, e não é sempre que podemos reunir todas as pessoas que amamos em um mesmo lugar, porém quando os planetas se alinham e nos possibilita não podemos deixar passar essas oportunidades de estar com verdadeiros amigos.
domingo, 7 de agosto de 2011
Plataforma 16
Perdi as contas de quantos ensaios eu fiz para começar a escrever. Acho que o tempo que fiquei de férias cultivando o ócio serviu para enferrujar qualquer habilidade de escrever . Mas não faz mal, isso não é um diário aonde eu tenho que escrever todos os dias, gosto daqui por que posso ficar dias, semanas, meses e porque não anos sem escrever nada, e um certo dia, escrever qualquer coisa que tiver vontade. E é isso que me motiva a estar aqui escrevendo. No ultimo dia de aula, antes das férias de julho eu pensei que poderia escrever com mais freqüência, mas as aulas voltaram e nenhum registro foi feito. Tudo bem, assim poderei fazer agora o que os professores de primário fazem quando os alunos voltam de férias: `` peguem uma folha e façam uma redação sobre as férias´´ Sempre odiei fazer isso, mas agora talvez eu queira fazer. O mais interessante esta sendo perceber que eu não tenho mais a memória que eu tinha quando criança para lembrar de todos os fatos em sua ordem cronológica, então isso vai sair fora de ordem.
Alguns dias longe demais das capitais: foi uma quarta feira a noite que embarquei em um ônibus com sentido a Minas Gerais, porém não era o mesmo sentimento que eu tinha quando embarcava a dez anos atrás, algo mudou, não sei se para melhor ou pior. Não tenho mais 16 anos onde eu não tinha responsabilidade nenhuma com estudos ou trabalho, eu simplesmente embarcava em uma quarta feira antes do natal e provavelmente só voltava na quarta feira de cinzas. Dessa vez era diferente, não iria ver diversas quarta feira em Minas. Outra coisa que me incomodou foi que mudaram o numero da plataforma de embarque. Sei que você pode se perguntar: Qual o problema???? O problema é que desde que me entendo por gente eu ia até o terminal do Tiete e aguardava o ônibus na plataforma 16, e para minha surpresa dessa vez era a plataforma cinco. Eu passei mais de vinte anos viajando, sem me preocupar com a volta e aguardando o ônibus na plataforma 16 e agora que tive que viajar já pensando na volta eles mudam para a plataforma 05, como se dissessem: Tudo mudou meu caro. Suas férias não são mais as mesmas. Você não tem mais 16 anos e você nunca mais vai pegar o ônibus na plataforma dezesseis. Que ironia, eu até tinha escrito uma canção com o nome de plataforma 16, e agora tudo se perdeu. Pode parecer exagero de minha parte, mas o problema é muito maior que uma mudança de plataforma, é como se o mundo me dissesse que nada mais é como antes. Passei cinco dias, descansando e apreciando a tranqüilidade de uma cidade sem semáforos, sem transito e outras coisas que compõe uma cidade como a essa em que sobrevivo.
Outro fato marcante ocorreu no dia 22 de julho quando foi ao citibank hall ver um show, na verdade foram dois shows, Ultraje a Rigor e Biquíni Cavadão. É uma sensação boa você ver ao vivo aquela voz que durante muitos anos saíram da sua caixa de som ou do fone de ouvido de seu walkman. Mas esse show era muito mais tenso, era a terceira vez que eu iria ver o Biquíni Cavadão, mas seria a primeira vez que eu veria o Bruno Gouveia após ele perder o seu tesouro mais precioso. Me recordo do meu primeiro show do Biquíni Cavadão, no Kazebre, creio que foi no dia 02 de novembro de 2008, até então seu filho Gabriel iria completar três meses de vida...mas agora estava eu olhando para o palco, mas eu não via só um cantor, eu estava diante de um guerreiro. Penso em pessoas que acordam de manhã e só porque acontece algo ruim como uma seqüência de farol vermelho, ou um ônibus lotado chegam ao trabalho com uma energia negativa, e trata as pessoas como se elas tivessem culpa de seus problemas. Eu estava olhando um homem que tinha o maior motivo do mundo para não estar ali, estar trancado em algum lugar praguejando contra o mundo, mas não, ele estava ali, com sua energia, com uma força que eu não compreendia de onde ele tirava. Ele cantava, ele pulava e sorria para seu publico como que agradecendo e dizendo `` obrigado por estarem ao meu lado´´ Com lagrimas nos olhos eu vi ele olhando para o alto e cantando `` é impossível esquecer você ´´ e depois relembrando uma frase de Renato Russo `` Meu filho vai ter nome de santo...´´ Não compreendi ainda de onde veio essa força, mas sei que todos que estavam presente sentiram pelo menos por um segundo a mesma emoção que eu.
Poderia falar aqui dos outros dias das minhas férias, mas agora não consigo prosseguir. Não queria ter entrado nesse assunto tão delicado do Bruno Gouveia, mas foi de fato algo muito marcante. Nesse dia eu não só assisti a um show, eu presenciei uma lição de vida.
Alguns dias longe demais das capitais: foi uma quarta feira a noite que embarquei em um ônibus com sentido a Minas Gerais, porém não era o mesmo sentimento que eu tinha quando embarcava a dez anos atrás, algo mudou, não sei se para melhor ou pior. Não tenho mais 16 anos onde eu não tinha responsabilidade nenhuma com estudos ou trabalho, eu simplesmente embarcava em uma quarta feira antes do natal e provavelmente só voltava na quarta feira de cinzas. Dessa vez era diferente, não iria ver diversas quarta feira em Minas. Outra coisa que me incomodou foi que mudaram o numero da plataforma de embarque. Sei que você pode se perguntar: Qual o problema???? O problema é que desde que me entendo por gente eu ia até o terminal do Tiete e aguardava o ônibus na plataforma 16, e para minha surpresa dessa vez era a plataforma cinco. Eu passei mais de vinte anos viajando, sem me preocupar com a volta e aguardando o ônibus na plataforma 16 e agora que tive que viajar já pensando na volta eles mudam para a plataforma 05, como se dissessem: Tudo mudou meu caro. Suas férias não são mais as mesmas. Você não tem mais 16 anos e você nunca mais vai pegar o ônibus na plataforma dezesseis. Que ironia, eu até tinha escrito uma canção com o nome de plataforma 16, e agora tudo se perdeu. Pode parecer exagero de minha parte, mas o problema é muito maior que uma mudança de plataforma, é como se o mundo me dissesse que nada mais é como antes. Passei cinco dias, descansando e apreciando a tranqüilidade de uma cidade sem semáforos, sem transito e outras coisas que compõe uma cidade como a essa em que sobrevivo.
Outro fato marcante ocorreu no dia 22 de julho quando foi ao citibank hall ver um show, na verdade foram dois shows, Ultraje a Rigor e Biquíni Cavadão. É uma sensação boa você ver ao vivo aquela voz que durante muitos anos saíram da sua caixa de som ou do fone de ouvido de seu walkman. Mas esse show era muito mais tenso, era a terceira vez que eu iria ver o Biquíni Cavadão, mas seria a primeira vez que eu veria o Bruno Gouveia após ele perder o seu tesouro mais precioso. Me recordo do meu primeiro show do Biquíni Cavadão, no Kazebre, creio que foi no dia 02 de novembro de 2008, até então seu filho Gabriel iria completar três meses de vida...mas agora estava eu olhando para o palco, mas eu não via só um cantor, eu estava diante de um guerreiro. Penso em pessoas que acordam de manhã e só porque acontece algo ruim como uma seqüência de farol vermelho, ou um ônibus lotado chegam ao trabalho com uma energia negativa, e trata as pessoas como se elas tivessem culpa de seus problemas. Eu estava olhando um homem que tinha o maior motivo do mundo para não estar ali, estar trancado em algum lugar praguejando contra o mundo, mas não, ele estava ali, com sua energia, com uma força que eu não compreendia de onde ele tirava. Ele cantava, ele pulava e sorria para seu publico como que agradecendo e dizendo `` obrigado por estarem ao meu lado´´ Com lagrimas nos olhos eu vi ele olhando para o alto e cantando `` é impossível esquecer você ´´ e depois relembrando uma frase de Renato Russo `` Meu filho vai ter nome de santo...´´ Não compreendi ainda de onde veio essa força, mas sei que todos que estavam presente sentiram pelo menos por um segundo a mesma emoção que eu.
Poderia falar aqui dos outros dias das minhas férias, mas agora não consigo prosseguir. Não queria ter entrado nesse assunto tão delicado do Bruno Gouveia, mas foi de fato algo muito marcante. Nesse dia eu não só assisti a um show, eu presenciei uma lição de vida.
domingo, 26 de junho de 2011
Ser humano...Ser mais humano
Segunda feira, 27 de junho de 2011, 2:35 am. Fechado dentro do meu quarto o que me impossibilita de sentir a temperatura, mas acredito que está muito frio,ouço o som de uma chuva fina batendo em minha janela e não consigo deixar de pensar na quantidade de seres vivos que estão do lado de fora do meu quarto.
Quantas pessoas não têm o privilégio de ter o mínimo para uma vida digna, e quando o falo o mínimo me refiro a uma casa, um oficio, momento de lazer entre outras coisas. Isso parece um discurso político, daqueles que costumamos ouvir a cada dois anos, mas não é isso que estou tentando fazer. Na verdade uma grande parte das pessoas que estão sentindo na pele a temperatura da chuva só está nessa situação porque alguém está com muito mais do que precisa ter. A pessoa esta se cobrindo com jornal por que a outra está usando um cobertor de corrupção e dinheiro sujo. Se de um lado existe um grupo que está deitado sobre uma caixa de papelão existe do outro um grupo deitado em cima de uma cama com um colchão de indiferença, com um travesseiro de pena de ganso,mas sem pena nenhuma de outras pessoas que por sua causa usa pedra como travesseiro.
Mas o que me deixa muito revoltado é ver isso: http://www.campanhadoagasalho.sp.gov.br/. Para quem esta com preguiça de clicar no link eu falo por cima do que se trata. É o lançamento da campanha do agasalho 2011, na foto o governador com sua esposa em companhia de Hebe Camargo. A campanha conta com companhia de dança que ira promover espetáculos, ações culturais, shows entre outras atividades para incentivar a doação, quero adiantar que não sou contra a campanha, mas isso é uma solução imediatista, não vai resolver o problema das pessoas que irão passar frio no inverno dos próximos anos. O que quero dizer é que se não houvesse tanta corrupção, tantos gastos com parlamentares, entre outras coisas, certamente teríamos condições de todos terem uma vida mais decente e as próximas gerações não precisarem da campanha do agasalho, pois quando o inverno chegasse todos estariam bem agasalhados.
Muitos vão ler isso e pensar que sou idealista, mas não se trata disso. Se sair do quarto eu vou sentir frio, se ficar sem comer vou sentir fome, é uma questão de parar de agir com indiferença. O ser humano tem que aprender a ser mais humano.
Quantas pessoas não têm o privilégio de ter o mínimo para uma vida digna, e quando o falo o mínimo me refiro a uma casa, um oficio, momento de lazer entre outras coisas. Isso parece um discurso político, daqueles que costumamos ouvir a cada dois anos, mas não é isso que estou tentando fazer. Na verdade uma grande parte das pessoas que estão sentindo na pele a temperatura da chuva só está nessa situação porque alguém está com muito mais do que precisa ter. A pessoa esta se cobrindo com jornal por que a outra está usando um cobertor de corrupção e dinheiro sujo. Se de um lado existe um grupo que está deitado sobre uma caixa de papelão existe do outro um grupo deitado em cima de uma cama com um colchão de indiferença, com um travesseiro de pena de ganso,mas sem pena nenhuma de outras pessoas que por sua causa usa pedra como travesseiro.
Mas o que me deixa muito revoltado é ver isso: http://www.campanhadoagasalho.sp.gov.br/. Para quem esta com preguiça de clicar no link eu falo por cima do que se trata. É o lançamento da campanha do agasalho 2011, na foto o governador com sua esposa em companhia de Hebe Camargo. A campanha conta com companhia de dança que ira promover espetáculos, ações culturais, shows entre outras atividades para incentivar a doação, quero adiantar que não sou contra a campanha, mas isso é uma solução imediatista, não vai resolver o problema das pessoas que irão passar frio no inverno dos próximos anos. O que quero dizer é que se não houvesse tanta corrupção, tantos gastos com parlamentares, entre outras coisas, certamente teríamos condições de todos terem uma vida mais decente e as próximas gerações não precisarem da campanha do agasalho, pois quando o inverno chegasse todos estariam bem agasalhados.
Muitos vão ler isso e pensar que sou idealista, mas não se trata disso. Se sair do quarto eu vou sentir frio, se ficar sem comer vou sentir fome, é uma questão de parar de agir com indiferença. O ser humano tem que aprender a ser mais humano.
Assinar:
Postagens (Atom)