Perdi as contas de quantos ensaios eu fiz para começar a escrever. Acho que o tempo que fiquei de férias cultivando o ócio serviu para enferrujar qualquer habilidade de escrever . Mas não faz mal, isso não é um diário aonde eu tenho que escrever todos os dias, gosto daqui por que posso ficar dias, semanas, meses e porque não anos sem escrever nada, e um certo dia, escrever qualquer coisa que tiver vontade. E é isso que me motiva a estar aqui escrevendo. No ultimo dia de aula, antes das férias de julho eu pensei que poderia escrever com mais freqüência, mas as aulas voltaram e nenhum registro foi feito. Tudo bem, assim poderei fazer agora o que os professores de primário fazem quando os alunos voltam de férias: `` peguem uma folha e façam uma redação sobre as férias´´ Sempre odiei fazer isso, mas agora talvez eu queira fazer. O mais interessante esta sendo perceber que eu não tenho mais a memória que eu tinha quando criança para lembrar de todos os fatos em sua ordem cronológica, então isso vai sair fora de ordem.
Alguns dias longe demais das capitais: foi uma quarta feira a noite que embarquei em um ônibus com sentido a Minas Gerais, porém não era o mesmo sentimento que eu tinha quando embarcava a dez anos atrás, algo mudou, não sei se para melhor ou pior. Não tenho mais 16 anos onde eu não tinha responsabilidade nenhuma com estudos ou trabalho, eu simplesmente embarcava em uma quarta feira antes do natal e provavelmente só voltava na quarta feira de cinzas. Dessa vez era diferente, não iria ver diversas quarta feira em Minas. Outra coisa que me incomodou foi que mudaram o numero da plataforma de embarque. Sei que você pode se perguntar: Qual o problema???? O problema é que desde que me entendo por gente eu ia até o terminal do Tiete e aguardava o ônibus na plataforma 16, e para minha surpresa dessa vez era a plataforma cinco. Eu passei mais de vinte anos viajando, sem me preocupar com a volta e aguardando o ônibus na plataforma 16 e agora que tive que viajar já pensando na volta eles mudam para a plataforma 05, como se dissessem: Tudo mudou meu caro. Suas férias não são mais as mesmas. Você não tem mais 16 anos e você nunca mais vai pegar o ônibus na plataforma dezesseis. Que ironia, eu até tinha escrito uma canção com o nome de plataforma 16, e agora tudo se perdeu. Pode parecer exagero de minha parte, mas o problema é muito maior que uma mudança de plataforma, é como se o mundo me dissesse que nada mais é como antes. Passei cinco dias, descansando e apreciando a tranqüilidade de uma cidade sem semáforos, sem transito e outras coisas que compõe uma cidade como a essa em que sobrevivo.
Outro fato marcante ocorreu no dia 22 de julho quando foi ao citibank hall ver um show, na verdade foram dois shows, Ultraje a Rigor e Biquíni Cavadão. É uma sensação boa você ver ao vivo aquela voz que durante muitos anos saíram da sua caixa de som ou do fone de ouvido de seu walkman. Mas esse show era muito mais tenso, era a terceira vez que eu iria ver o Biquíni Cavadão, mas seria a primeira vez que eu veria o Bruno Gouveia após ele perder o seu tesouro mais precioso. Me recordo do meu primeiro show do Biquíni Cavadão, no Kazebre, creio que foi no dia 02 de novembro de 2008, até então seu filho Gabriel iria completar três meses de vida...mas agora estava eu olhando para o palco, mas eu não via só um cantor, eu estava diante de um guerreiro. Penso em pessoas que acordam de manhã e só porque acontece algo ruim como uma seqüência de farol vermelho, ou um ônibus lotado chegam ao trabalho com uma energia negativa, e trata as pessoas como se elas tivessem culpa de seus problemas. Eu estava olhando um homem que tinha o maior motivo do mundo para não estar ali, estar trancado em algum lugar praguejando contra o mundo, mas não, ele estava ali, com sua energia, com uma força que eu não compreendia de onde ele tirava. Ele cantava, ele pulava e sorria para seu publico como que agradecendo e dizendo `` obrigado por estarem ao meu lado´´ Com lagrimas nos olhos eu vi ele olhando para o alto e cantando `` é impossível esquecer você ´´ e depois relembrando uma frase de Renato Russo `` Meu filho vai ter nome de santo...´´ Não compreendi ainda de onde veio essa força, mas sei que todos que estavam presente sentiram pelo menos por um segundo a mesma emoção que eu.
Poderia falar aqui dos outros dias das minhas férias, mas agora não consigo prosseguir. Não queria ter entrado nesse assunto tão delicado do Bruno Gouveia, mas foi de fato algo muito marcante. Nesse dia eu não só assisti a um show, eu presenciei uma lição de vida.
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